O governador já preencheu nas últimas duas semanas 10% da cota de servidores de confiança mantidos no governo de José Roberto Arruda (sem partido) antes da crise. Para conseguir acomodar os mais de 800 recém-nomeados em funções de chefia, assessoramento e direção, ele teve de dispensar antigos funcionários e criar pelo menos 60 cargos.
Desde que Lima assumiu, a Folha contabilizou 750 demissões -resultando na extinção de 201 cargos. Outros 117 funcionários pediram para sair.
Por meio de assessoria, o governo disse que as mudanças foram feitas para imprimir “um perfil mais técnico à equipe”.
As exonerações, no entanto, não serviram apenas para dar lugar aos novos comissionados ou enxugar a máquina estatal. Em 155 casos -20% do total- as demissões foram maquiadas: os exonerados foram remanejados para outros postos. É o caso da vice-governadoria que, com a renúncia do vice-governador Paulo Octávio (sem partido), teve 46 funcionários redistribuídos em outras pastas e somente 28 afastados.
Nos primeiros dias de governo, Wilson Lima anunciou medidas moralizadoras como forma de tentar esfriar a crise e garantir a governabilidade. O interino demitiu os próprios familiares com cargos comissionados e exonerou envolvidos no mensalão do DEM.
Os atos de Wilson Lima publicados no “Diário Oficial”, contudo, revelam mais que a demissão de suspeitos de corrupção. Para afastar o fantasma da intervenção federal no DF, ele promove uma intensa reestruturação do governo. Lima desmembrou órgãos, criou uma secretaria e realocou funcionários ligados a seus principais aliados, como Paulo Octávio, com quem tem mantido contatos frequentes. Na prática, cargos foram extintos e outros, recriados, alguns com salários diferentes.
Antes da crise, o governo de José Roberto Arruda -preso sob acusação de tentar subornar uma testemunha do mensalão do DEM- tinha pelo menos 8.660 comissionados. O governo federal, apesar de ter cinco vezes mais funcionários, possui 5.560 comissionados.

